[Perinity Week]
Gestão de Crises e Resiliência Empresarial: Lições para um Mundo Volátil
No último dia da Perinity Week, um painel de peso reuniu Fernando Ferreira (AuditSafe), Eduardo Camoesi (Stefanini Cyber) e Ricardo Giovanardi (Global Intel), com mediação de Roberto Oliveira (Perinity). O tema central foi claro e urgente: como as empresas podem se preparar para crises e desenvolver resiliência em um cenário global cada vez mais instável.
O que realmente é uma crise?
Ao contrário da visão comum de que crise é apenas um desastre natural ou escândalo corporativo, os painelistas reforçaram que crises podem surgir de eventos aparentemente simples:
Um e-mail de phishing que passa despercebido;
Um post negativo nas redes sociais;
Uma nova regulação inesperada;
Uma falha operacional ou tecnológica que expõe dados sensíveis.
A mensagem foi direta: crise não é exceção, é regra — e por isso precisa ser tratada como parte estratégica da governança empresarial.
Gestão vs. Gerenciamento de Crises
Ricardo destacou a importância de diferenciar gestão e gerenciamento de crises:
Gestão de Crise: preparação, análise de riscos, definição de estratégias, elaboração e testes de planos, simulações e treinamentos.
Gerenciamento de Crise: atuação prática quando a crise já está instaurada, com decisões rápidas sob pressão.
Segundo ele, muitas empresas negligenciam a fase de gestão e acabam pagando muito mais caro ao improvisar durante o gerenciamento.
Comunicação: interna e externa
Um dos pontos mais discutidos foi a comunicação durante crises.
Interna: colaboradores precisam de orientações claras, papéis definidos e consciência sobre como agir.
Externa: porta-vozes treinados, mensagens pré-aprovadas e respostas rápidas são essenciais para proteger a imagem e a reputação da empresa.
O silêncio, mensagens desencontradas ou improvisações mal conduzidas podem gerar danos irreparáveis.
O papel do board e da alta direção
Fernando ressaltou que os conselhos de administração precisam se envolver além do patrocínio financeiro:
Definir quais crises são aceitáveis e quais não são;
Validar cenários de estresse e planos de contingência;
Garantir fundos, seguros e linhas de crédito para situações críticas;
Tomar decisões rápidas e consistentes em momentos de pressão.
A resiliência, segundo ele, deve ser tratada com o mesmo peso de um indicador financeiro.
Cultura organizacional e prevenção
Os painelistas foram unânimes: sem cultura prevencionista, não há resiliência real.
Empresas no Brasil ainda falham em reservar orçamento e recursos para prevenção;
Muitas só agem após viverem uma crise severa;
A cultura deve partir da alta liderança, influenciando todos os níveis da organização.
Ricardo foi categórico: “Se você acha alto o preço da preparação, experimente o da reparação.”
Volatilidade como estado permanente
Mudanças geopolíticas, crises econômicas, ataques cibernéticos, riscos climáticos e novas regulações são fatores que já fazem parte do dia a dia.
Para os especialistas, a volatilidade não é mais um evento pontual, mas uma condição constante.
Empresas resilientes são aquelas que monitoram continuamente o ambiente, testam planos, fortalecem sua cultura e aprendem com cada crise.
Conclusão: resiliência é estratégia, não opção
O painel encerrou com uma visão prática e inspiradora:
A resiliência empresarial não significa apenas sobreviver à crise, mas absorver choques, adaptar-se rapidamente e sair fortalecida.
Prevenir, simular, treinar e comunicar são ações obrigatórias, não diferenciais.
Mais do que engajamento, é preciso uma cultura organizacional sólida, patrocinada pelo board e vivida por toda a empresa.
A grande lição deixada pelos especialistas foi clara: crises sempre virão, mas as empresas que se preparam transformam vulnerabilidade em vantagem competitiva.
Apresentador:
- Roberto Oliveira (Perinity)
Participantes:
- Eduardo Camolez (Stefanini Cyber)
- Fernando Ferreira (AuditSafe)
- Ricardo Giovenardi (Global Intel)





